As paletas de interiores mudaram. Desde 2024, os cinzas frios e os brancos clínicos estão recuando em favor de tons terrosos e verdes profundos, uma evolução confirmada por várias análises de tendências publicadas entre 2025 e 2026. Essa mudança cromática reflete uma transformação mais ampla: a decoração de interiores não se limita mais a vestir um espaço, mas expressa escolhas sobre a sustentabilidade dos materiais, a rastreabilidade dos objetos e a maneira como um lugar reflete um estilo de vida.
Regulamentação europeia sobre ecodesign: o que muda para o mobiliário
O regulamento (UE) 2024/1781 sobre ecodesign de produtos sustentáveis, que entrou em vigor em 18 de julho de 2024, modifica profundamente as regras do jogo para o setor de mobiliário. Esta legislação amplia os requisitos de ecodesign para quase todos os bens físicos, incluindo móveis e objetos decorativos.
Um ato delegado específico para o mobiliário é esperado em 2028, com conformidade provável em torno de 2029-2030. Concretamente, isso significa que os fabricantes deverão integrar critérios formais de sustentabilidade, reparabilidade e reciclabilidade em seus produtos. O passaporte digital do produto, previsto por este mesmo regulamento, tornará essas informações acessíveis aos consumidores.
Para quem se interessa por decoração hoje, essa trajetória regulatória tem uma implicação direta: os objetos projetados para durar e cuja fabricação é rastreável vão gradualmente se tornar a norma, não apenas um argumento de marketing. Escolher um móvel de madeira maciça certificada ou uma luminária reparável é antecipar um cenário que se torna mais rigoroso. Aqueles que exploram a decoração proposta pela Happy Space encontrarão peças que já se inserem nessa lógica de sustentabilidade e personalização.
Cores tendência 2026: terracota, ocre e verdes profundos substituem o cinza
A mudança cromática observada desde 2024 se confirmou. As análises publicadas por Inspir-deco, KSL Living, Trendalytics e 20 Minutes convergem: os tons terrosos (terracota, ocre, argila) e os verdes profundos se impõem como as paletas dominantes para 2026.

Esse movimento não se trata de um simples ciclo de moda. Os tons terrosos funcionam como cores de fundo que aquecem um espaço sem saturá-lo. Uma parede em ocre suave em uma sala de estar modifica a percepção da luz natural de maneira significativamente diferente de uma parede cinza claro, que tende a achatar os volumes.
Os verdes profundos, por sua vez, criam um efeito de ancoragem visual. Usados em uma parede, um sofá ou têxteis, eles introduzem uma conexão com o exterior sem recorrer a plantas de interior. Os feedbacks do campo divergem sobre a facilidade de associação desses tons com mobiliário existente: um verde floresta combina bem com madeira clara ou latão, mas pode pesar em um espaço mal iluminado.
A questão não é repintar todos os ambientes. Uma almofada de linho terracota, um vaso de grés ocre ou um cobertor verde pinheiro são suficientes para ancorar um interior nessa paleta sem um compromisso pesado.
Materiais brutos e artesanato: uma decoração única pela textura
Madeira não tratada, pedra natural, terracota, linho cru, concreto polido: os materiais que preservam sua textura original ocupam um lugar crescente nos interiores. Essa tendência se alinha à lógica regulatória de ecodesign, mas também responde a uma necessidade sensorial. Um objeto cuja matéria percebemos ao toque cria uma relação diferente com o espaço.
O artesanato e o feito à mão reforçam essa dimensão. Uma cerâmica moldada à mão, um têxtil tecido com irregularidades visíveis ou um móvel de madeira cujas veias permanecem aparentes introduzem o que os concorrentes costumam chamar de “personalização”, mas que se refere mais à unicidade pela fabricação. Duas peças artesanais nunca são idênticas, o que as distingue fundamentalmente de um objeto industrial.
- A madeira maciça (carvalho, nozes, freixo) continua sendo o material mais versátil para uma decoração sustentável, desde que se verifique sua procedência e certificação florestal.
- A terracota e o grés, usados em revestimentos ou objetos decorativos, trazem um calor visual que o revestimento industrial não reproduz.
- O linho e o cânhamo, em têxteis de mobiliário, envelhecem melhor do que as fibras sintéticas e se alinham com as futuras exigências de reciclabilidade.
Ferramentas de IA em decoração de interiores: promessas e limites atuais
As tendências de 2026 sinalizam a ascensão das ferramentas de design assistidas por inteligência artificial. Várias plataformas agora oferecem a visualização de um interior reconfigurado a partir de uma foto, modificando cores, mobiliário ou arranjos em poucos cliques.

O interesse é real para uma primeira exploração. Testar uma parede terracota em sua sala de estar antes de comprar a tinta, ou visualizar um sofá verde profundo em um espaço existente, permite evitar erros custosos. Os dados disponíveis ainda não permitem concluir sobre a confiabilidade colorimétrica dessas ferramentas: a diferença entre a renderização na tela e a realidade permanece variável de acordo com os aplicativos.
O principal limite diz respeito à textura. Um algoritmo pode simular a cor de uma parede em concreto polido, mas não a sensação tátil nem o jogo de luz em uma superfície irregular. Para os materiais brutos e artesanais, a ferramenta permanece um complemento, não um substituto para a observação física.
- Os geradores de ambiente por IA são úteis para validar uma direção cromática antes da compra.
- A simulação de texturas e materiais naturais continua sendo aproximada na maioria das ferramentas de consumo.
- Nenhuma ferramenta substitui a visita a um showroom ou ateliê para avaliar um material artesanal.
A decoração única não é decretada por um filtro digital. Ela se constrói pela acumulação de escolhas concretas: um material cuja origem conhecemos, uma cor testada na luz real do ambiente, um objeto cuja fabricação deixa uma marca visível. As ferramentas evoluem, o quadro regulatório se torna mais claro, mas o critério que distingue um interior bem-sucedido de um interior genérico permanece o mesmo: cada peça escolhida conta algo específico.



